08/01/2013

Ele

O cheiro dele está na minha cabeça, no meu café, nos meus sapatos, nas minhas roupas, no meu nariz... é insuportável. Ele tinha cheiro de chocolate, aconchego, cafuné. Ele tinha cheiro de amor, quando eu o amava. Agora esses aromas me perseguem, insistindo eu me machucar, em me corroer por dentro de um modo incurável.
Para mim era tudo perfeito. Dormíamos abraçadinho no inverno, e no verão dormíamos nus, sentindo cada batida de nossos corações. Quando eu acordava mas não via seu rosto, seus olhos, sentia dentro de mim crescer um desespero enorme. Eu tinha medo dele me deixar, ir embora e nunca mais voltar. Porém, antes mesmo de me desesperar, ele chegava, me abraçava, me beijava... Ele dizia que eu estava linda, e que ele era o homem mais sortudo do mundo, e então eu me derretia. Nesses dias eu me sentia amada, segura. Mas na verdade ele era apenas um bom ator.
Era uma segunda feira, e o dia estava alegre. Eu estava esperando ele chegar, mas ele não chegou. Uma, duas, três horas esperando, ligando, já desesperada. E então ele entra em casa. Não olha em meus olhos, em meu rosto, e não me diz oi. Senta no sofá, pede para que eu me cale e despeja em mim tudo o que eu mais temia: ele não me amava mais. Vou ser sincera agora: na verdade, ele nunca me amou, porque quem ama de verdade jamais trai.
Sim, ele havia me traído. Ele havia trocado a mulher que ele tocou, que ele amou, que ele beijou, que ele chamou, que ele sussurrou e que ele possuiu por outra mulher. Uma outra qualquer.
Então eu apenas abri a porta do meu apartamento, e esperei ele sair. Nenhuma lágrima caiu de meus olhos, e isso ele percebeu. Ele se foi, deixando para trás meu coração despedaçado, machucado, ferido, enganado. Desde então não mantivemos contato, e o acontecido já tem 3 anos, mas aquele cheiro não se foi. Ele não sai de mim, e eu não sei exatamente o por que. A única coisa que sei é que já se tornou enjoativo de um modo torturante.

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